Quando um filho nasce!

Quando um filho nasce!

Agora, que o tempo passou, que os pontos das cesarianas só doem quando vem chuva grossa, consigo enxergar com mais clareza, o que acontece quando um filho nasce.

A gente se engana. Sim, mães se enganam. Espero que meus filhos não leiam isso, tão cedo.

A gente pensa que o filho é da gente. Que podemos escolher a profissão, os amigos e até os amores deles. Que só a gente sabe cuidar, que sob as nossas asas nada de mau poderá acontecer.

Ledo engano.

Eles caem, colocam pedra na boca, pegam sapinho, abrem o supercílio num piscar de olhos, andam de bicicleta na descida, de skate no corrimão, tem febre, catapora, caxumba, os dentes doem para nascer, tem a fimose, tem as primeiras cólicas menstruais, eles namoram, perdem o emprego, casam e descasam.

E o que é pior, eles não são eternos. No coração de cada uma de nós, isso só seria possível depois da nossa morte. É o justo, mas não é uma lei.

E infelizmente, em muitas famílias a mesma dor, aquela que não tem nome, não tem tamanho e muito menos explicação. Dizem que ter um filho é como fazer uma tatuagem no rosto. Acho que perder este filho é como tatuar o rosto inteirinho sem deixar um poro na cor natural.

Vi isso de perto. Dos cinco filhos que tinha, minha mãe ficou com três. Tenho certeza que a vida dela nunca mais será a mesma. Hoje eu sei. Mas, hoje eu sei também que a lembrança dos 32 anos ao lado da caçula e os 42 do filho homem mais velho, é o que a mantém viva.

Por isso, não vou dizer que o melhor é não ter filhos, que o melhor é colocá-los numa redoma de vidro, vou dizer apenas que o tempo ao lado de um filho deve ser sagrado e não estou falando em estar com eles o tempo todo. Estou falando em amar e ser amada a qualquer momento e deixar a felicidade e a dor do caminho nos ensinarem a dimensão e o risco de colocar um filho no mundo. Vai valer a pena, pergunte a uma mãe que perdeu o seu filho. Ela poderá confirmar o que eu estou dizendo. Eu aprendi com a minha mãe.

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

Relacionado

Comentários

  • Rita Escobar Sanches Rita Escobar Sanches agosto 12, em 09:45

    Mari, minha mãe também sabe o que é essa dor. Ela sempre diz que é uma dor que nunca passa. Bjs

    Responder
    • Marilucy Cardoso Marilucy Cardoso agosto 12, em 10:12

      Mas amiga Rita, tenho certeza que ele viveria tudo de novo, pra sentir esse amor e conviver com o filho que se foi, mesmo sabendo que ele iria embora antes dela! Um grande bj pra vc e pra sua mãe

      Responder
  • Lucyene Vilela Lucyene Vilela agosto 13, em 22:33

    Irmã, lendo esse texto e lembrando que você adora um dito popular, não posso deixar de registrar: filho - da pra rir e da pra chorar!! Eles nos dão muitas preocupações, nos fazem perder noites de sono (não só quando são bebês), mas também nos dão muitas alegrias!! A maternidade pra mim foi uma surpresa maravilhosa!! vale a pena sempre!!

    Responder
  • Alessandra Alessandra agosto 14, em 00:23

    Não consigo imaginar como uma mãe sobrevive à perda de um filho.

    Responder
    • Marilucy Cardoso Marilucy Cardoso agosto 17, em 13:52

      A gente não imagina... E não sabe calcular né minha amiga? Pena que algumas de nós enfrenta essa dor... Um bj grande

      Responder

Deixe o seu comentário