Pode ficar com o troco!

Pode ficar com o troco!

As redes sociais deixaram as relações humanas muito diferentes. Ok, nenhuma novidade. Isso, pra quem nasceu com elas, se criou com elas, mas pra geração dos anos 70, essas mudanças são gigantescas e vez ou outra, dia sim e outro também, nos balançam!

Eu por exemplo,  quando vejo um pai, que não mora com o filho, desejar feliz aniversário para o garoto, no mural do Facebook, tenho quase uma parada cardíaca. Sem exagero, me falta o ar. O que faz com que o sujeito não tenha vontade de pegar o telefone e dizer: “Oi filho, feliz aniversário! Tá tudo bem com você?”

Daí, esse mesmo filho, deseja feliz dia dos pais ao famigerado papai no mural do cidadão. Chumbo trocado não dói! Será?

Pode até não doer, mas nesse caso, são tantas perdas, tanto amor varrido pra debaixo do tapete, tanto desperdício de bons momentos, que chega dar dó!

Outro golpe direto na alma é quando um amigo nos deleta do Facebook. Eu ainda não me acostumei. Levo um susto enorme quando acontece comigo. Dia desses, um baque daqueles! Gente, antes que eu pareça uma carente sem limites, deixa eu explicar a que tipo de amigo do Facebook eu me refiro: Amigo que já dormiu no seu sofá, já brindou entrada de ano novo na sua casa, que dirige o seu carro, que conhece seus pais… AMIGO!

Ao menos que eu saiba, não houve uma briga, antes tivesse havido, assim haveria o que ser perdoado, ou discutido. Passei horas do meu dia pensando num motivo pra exclusão, pro sujeito ter me jogado fora. Pensei em mandar uma mensagem “inbox” pra ele perguntando qual a razão.

Mas, foi aí que veio a frase: “Pode ficar com o troco.”

Não vai haver troco, nem satisfação, nem mesmo, tristeza. Se o que era amizade, vale um clique de adeus, certamente não era amizade, era só uma troca de interesses, descartada na rede social. Já passou.

Passado o susto, me comprometo a manter quem eu gosto por perto, a conta do celular em dia pra falar com quem é importante pra mim, um vinho na adega, uma cerveja na geladeira pra dividir com quem quer que apareça e as portas do coração bem aberta pra quem chega e pra quem sai. Sou uma analógica, sempre serei

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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