Não é falta de memória, é excesso de detalhes!

Não é falta de memória, é excesso de detalhes!

Memória de elefante, não! Diga, memória de elefanta, por favor! Eu poderia jurar que essa história de guardar na memória foi inventada por uma mulher.

Mulher quer lembrar de tudo! Do primeiro beijo, do primeiro sutiã, da primeira professora, da nota da redação no Vestibular, do trote, do pedido de casamento (palavra por palavra), o número do voo para a lua de mel, a roupa que usava quando fez o teste de gravidez, com data e horário, da primeira palavra que o filho balbuciou, do primeiro dente dele até o dia em que o filho contou que ia se casar, tá guardado naquela imensidão de memórias.

Que mulher nunca disse: “Me lembro como se fosse hoje, tim tim, por tim tim!”

Funciona assim: É detalhe, mulher guarda! E os detalhes são detalhes, são aquilo que dá mais trabalho. Por isso, que quando alguém é perfeccionista é definido como detalhista! E nós mulheres, fomos nos especializando em detalhes desde o tempo das cavernas. O homem caçava, mas quem pensava no jantar, quem deixava a caverna aconchegante?

Já sei, você acha que eu estou exagerando? Faça um teste. Pergunte ao seu marido quando vocês deram o primeiro beijo, ou o horário de nascimento de um filho, pergunte da última briga de vocês e ele dará um jeito de sair de mansinho e deixar você submersa no seu mar de lembranças.

Vê se a gente esquece um aniversário de namoro, da sogra, da professora da escolinha do filho, vê se a gente vai perder a primeira comunhão do afilhado, de retocar o batom, de borrifar o perfume, vê se a gente esquece um detalhe qualquer. Ah… E a gente trabalha, em casa, na rua, na fábrica, na pista, no avião, no diabo a quatro! E aí de repente eu ouço, nossa como você é esquecida. Aquilo me corrói! Tenho vontade de gritar: Ei, meu HD de 1 terabyte tá lotado!

Lotado de amor, de cuidado, de detalhes que eu adoro e não estou disposta a apagar nadinha. Prefiro esquecer a chave do lado de fora, o celular  em casa, a conta de luz. Prefiro não ter uma grande ideia que vai me deixar rica, prefiro até não ter foco. Prefiro meus detalhes, minhas lembranças. E não se esqueça: Não é falta de memória, é coisa boa de mulher,

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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Comentários

  • Claudia Claudia março 20, em 23:05

    Hahhahahahhaha!!! Adorei!!Grande descoberta sobre meu problema de memória e ficarei mais feliz quando esquecer onde deixei a chave!!!

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    • Marilucy Cardoso Marilucy Cardoso março 21, em 08:01

      A chave é o de menos né Claudinha! Pra isso, a gente reza pedindo a Deus e a Nossa Senhora das Mulheres, proteção! Obrigada pela visita! Beijoka

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  • Carla Francisco Carla Francisco março 21, em 22:44

    Amigaaaa Por isso tenho aquela agenda, lembra? Assim n esqueço as chaves e posso me deliciar c os detalhes....e a agenda Tb eh um detalhe...um capricho comigo, um alento nas horas em q falta a memória Amooooo seus textos

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    • Marilucy Cardoso Marilucy Cardoso março 22, em 07:50

      A agenda é um ótimo detalhe! E como todo detalhe dá trabalho minha querida! Volte sempre ao Bolonhesa eu adoro as suas visitas! Bj minha amiga

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