Fui ser feliz, não tenho hora pra voltar!

Fui ser feliz, não tenho hora pra voltar!

Dia desses, meu filho caçula, pediu um brigadeiro e lá fui eu pra cozinha. Seguindo mais aos meus instintos do que propriamente uma receita, comecei a preparar o doce preferido do Gabriel. E foi justamente quando raspei a lata de Leite Moça, que comecei a pensar no que escrevo agora!Pensei, assim… Houve um tempo em eu que daria 10 minutos da minha vida por uma raspa da lata de Leite Condensado!Adorava tanto aquela sobra, mas, numa casa de cinco filhos, nem sempre ela sobrava para mim! E quando isso acontecia, a raspa  era mil vezes melhor que um prato inteiro de brigadeiros.

Em seguida pensei: Quando foi mesmo que tive um prato de brigadeiros só pra mim?

Resposta: Quando o prato de brigadeiros já não tinha mais tanto valor pra mim, quando eu já sabia que brigadeiros engordam e de fato engordavam, afinal, meu metabolismo dos doze anos não era mais realidade pra mim.

Ali, entre uma raspada e outra no fundo da panela, os pensamentos insistiram em volta no tempo. Pensei em tudo o que me fazia feliz e que de certa forma, perdeu a importância!

Bolacha recheada de morango, da São Luiz, Diamante Negro ou Laka branco, sentar no primeiro banco do ônibus sanfona, excursão para o Playcenter, roupa nova no natal, tirar o papelzinho do amigo oculto, sentar na varanda da casa do meu avô à espera da minha prima do Rio de Janeiro, entrar no ônibus rumo a cidade maravilhosa para passar as férias com ela, sotaque carioca, biscoito de polvilho, embrulhar balas de coco pra festa, saber todos os presentes que minha mãe iria distribuir no Natal, lençol novo na cama, receber cartas, responder a uma chamada oral, minha caderneta da escola, dormir na casa das primas, mil coisas…

E quando eu já estava quase chegando a conclusão de que, a medida em que a gente cresce a felicidade começa a custar caro demais… Me lembrei que sou especialista em ser feliz com pouco. Afinal quem me conhece sabe… Fico feliz quando o bolo cresce no forno, quando um filho sorri, quando a lua está alta céu, quando tem ninho de passarinho no meu quintal, quando a fruta tá bonita na barraca da feira, e confesso…  De vez em quando eu ainda raspo a lada de leite condensado… Enfim foi só o tempo que passou. Ser feliz ainda é simples e possível pra mim, a cada dia!

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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Comentários

  • Elizete Wenzel Moreira Elizete Wenzel Moreira junho 25, em 21:43

    Continua me fazendo recordar também como era feliz com pouco, mas que era muito bom era kkkk. Quando você escreve, fico rindo por dentro, porque sinto assim também e feliz por você colocar em palavras esse tempo maravilhoso. Como você disse, você é feliz com o pouco e também consegue driblar com sabedoria as dificuldades que a vida lhe traz.

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    • Marilucy Cardoso Marilucy Cardoso julho 07, em 20:25

      Zetti querida! E eu adoro fazer você rir por dentro. E sim, era bom demais!!!Um beijo minha amiga!

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