Filho predileto! Isso existe?

Filho predileto! Isso existe?

Não, isso não existe! Não há como esperar nove meses por alguém, ser a primeira pessoa a olhar para aquele ser tão pequeno, que para de chorar ao chegar perto de você e não ser louca por ele. Sabe o que muda de um filho para o outro? A ordem de chegada!

Alguns pesquisadores consideram a ordem de nascimento tão importante quanto o gênero e quase tão importante quanto questões genéticas. Essa é a opinião da pesquisadora e educadora Gail Gross, da qual eu concordo sem tirar nem pôr! Ela diz que não existem dois irmãos que tenham os mesmos pai e mãe, mesmo que vivam na mesma família. Por que? Porque os pais são diferentes com cada um de seus filhos, e não há dois filhos que desempenhem o mesmo papel.  Gail fez a leitura de uma família com três filhos, exatamente como a minha. Resumindo ela diz que o mais velho é o realizador, o do meio é o pacificador e o caçula é o brincalhão! Bingo! Penso exatamente assim!

Se você é o primogênito ou já teve o primeiro filho vai entender! O primeiro é o mais cobrado é o que carrega a maior expectativa por parte dos pais. Não interessa se foi planejado ou não, ele é á novidade! Os pais nem imaginam o trabalho que ele vai dar, como serão as noites depois que ele nascer, não sabem que irão usar a própria roupa para limpar o narizinho da criatura. É tanto cuidado e doação  e tanto controle dos pais, marinheiros de primeira viagem, que os primogênitos são responsáveis até demais!

O primeirão será também o mais centrado, o mais amadurecido, vai conviver com muitos adultos e isso certamente vai fazer dele o nosso filho de confiança, o nosso braço direito!

Aí, chega o segundo! Começa que ele já nasce pra ser o irmãozinho do primeiro. Os pais já tiveram aquela conversa sobre o perigo dos filhos únicos (que na minha opinião é uma besteira) e aí decidem ter mais um. Tudo planejado, dá pra escolher o signo, quem sabe um do mesmo elemento do primeiro. Dá pra pensar num nome que combine com o do primogênito. Ah e tem mais! Recaí sobre o segundo filho, a obrigação de ser de um sexo diferente? Ele precisa ter algo de novo! Ser segundo não é fácil, a não ser que ele ganhe o status de filho caçula, que a produção de bebês pare por aí!

Caso contrário, eu que sou filha do meio, posso confirmar é preciso lutar para ser reconhecido o tempo todo, afinal quando o caçula de direito chega, a gente que já era o segundo na sucessão do trono, fica sem rumo! A minha Júlia, tinha pouco mais de um ano quando o Gab chegou, foi difícil pra ela, é até hoje!

Passemos para o caçulinha. Pra mamãe é a última chance de ter o barrigão, de ter chorinho e cheirinho de bebê em casa, de dar colinho. E aí, a gente protela, tem vontade de engarrafar os pequenos pra que eles não cresçam como os outros dois! Comigo foi assim. Gabriel teve mais colo que os outros dois e ao mesmo tempo tinha uma independência absurda, porque cresceu com os irmãos, aprendia com os mais velhos e não comigo! Assim herdou uma liberdade diferente e ampla.

O tempo passou e a ordem de chegada continua definindo tudo! O Guilherme é o cara, o chefe, ou como diria Gail Gross, o realizador! A Júlia se esforça para conseguir o que precisa e nisso tudo arrumou uma auto-estima imensa que a faz brilhar, sempre brigando pelo o que é justo pra todos, sem contar que virou o xodó dos dois meninos e atende ao cargo de pacificador , perfeitamente! E o Gab, ah, o Gab é um caçula no sentido extremo da palavra e nasceu pra ser o brincalhão da família. O mais manhoso, o mais carinhoso e aquele que tudo pode e tudo consegue!

Filhos são sim como diria a minha mãe, como os dedos da mão, cada um a seu modo, mas capazes de despertar um único sentimento : O AMOR de mãe, feito sob medida e com o mesmo peso  pra todos eles!

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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