Feliz coincidência!!!

Feliz coincidência!!!

Estou pra dizer que a medida em que o tempo passa as palavras e as expressões ganham cores mais fortes! Tudo passa a fazer mais sentido. Falar por falar vai perdendo o sentido, da “boca pra fora” é pra quando se é bem jovem, pra quando não se é levado muito a sério e pra quando pra voltar atrás, basta, muitas vezes, pegar um atalho.

Mas, a medida em que “crescemos” o melhor a fazer é pensar sobre o sentido das palavras antes que elas escapem da boca. O pensar é um baita filtro. Filtro no sentido de filtrar o falar e de dar novas cores aquilo que dizemos.

Explico: Nem sei quantas vezes já usei a expressão feliz coincidência, mas dia desses ela ganhou um colorido e um significado especial. Estava eu, num bote, num pedacinho do Atlântico, numa famosa praia de Florianópolis, com destino a um barco de alguém que eu nunca havia visto. Aliás a figura estava também no bote, mas eu sequer havia reparado. Reparei no que naturalmente me chamaria atenção. Por exemplo: Na brisa, nas gotinhas salgadas que pulavam pra dentro do bote fazendo cócegas nas mãos e nas pernas, quando chegamos pertinho do barco, percebi imediatamente que no alto da embarcação, ao lado da bandeira do Brasil, tremulava a bandeira do Internacional de Porto Alegre. Pensei: o dono é gaúcho e já comemorou Libertadores e Mundial!

Como única dama do bote, fui a primeira a desembarcar. Quem me esticou a mão? Um rapaz magro, cabelos ruivos, caprichosamente cacheados e um sorriso de orelha a orelha. Pronto para me ajudar, ele disse: Madame! Aceitei a ajuda e claro o madame.  Ouvindo as explicações que o rapaz dava sobre o funcionamento do barco, percebi um sotaque diferente.  Pensei: deve ser Holandês ou Belga. Pra minha surpresa, o sotaque era francês, especificamente parisiense e para a maior e mais feliz coincidência o rapaz também é nascido em 14 de julho, uma das datas mais importantes para os franceses e pra mim, já que eu também fico mais velha quando se comemora a Queda da Bastilha. Ao saber da coincidência, nos cumprimentamos e nos colocamos a falar de Paris.

Só isso já deixaria aquela manhã nublada de sábado perfeita, mas Gerome, esse é o nome dele, dividiu ainda a história de como veio parar no Brasil. Ele é advogado, formado na França, passou a advogar para uma grande empresa do ramo imobiliário e foi convidado a implantar uma franquia no Brasil, em Florianópolis. Claro, ele veio, trabalhou por aqui de terno e gravata, mas, descobriu que não era assim que seria feliz. Desapegou-se do status, do conforto, das facilidades, calou o próprio ego e foi ser  marinheiro. Com aquele sorriso do início, falou agora eu sou feliz! Feliz também é o gaúcho, dono do barco, que tem um marinheiro feliz, porque faz o que gosta, e de uma competência que causa inveja entre os donos de outros barcos. O gaúcho está vendendo o barco, mas o marinheiro francês, ele já avisou, não está no pacote e ele não aceita proposta! Gerome vai continuar sendo feliz, apaixonado pela esposa brasileira e indelevelmente ligado ao Atlântico. Uma feliz coincidência, que me ensinou uma ótima lição!

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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