Ausência…

Ausência…

A tradução mais dura de ausência é a MORTE.É o que não tem remédio e remediado nunca estará. Um pulo no escuro, onde nem um eco se ouve. O que é doce se acaba e ponto final.

A morte é nossa única certeza, mas não nos acostumamos com o fato, muito menos com a dor e quando ela acontece inesperadamente parece que é pior.

Eu nunca havia perdido alguém de uma hora para outra. Nunca até maio de 2012. É uma situação que só conhece quem já passou por isso. Parece o roteiro de um filme, um drama daqueles que afunda a gente na cadeira do cinema e dá nó na garganta, frio nas mãos, arrepio pelo corpo.

E depois do choque você tenta reconstruir os fatos, os últimos momentos, o futuro próximo, o que não foi dito, o que não foi feito, o que não foi vivido. É muito triste! É vazio.

Num dia recebi um e-mail com o seguinte texto: Já que vc. está em Sampa, adoraria te ver. Vamos almoçar ou jantar. Esta semana estou em Brasília, e chego na 3a. ou 4a.  Me liga que a gente combina.

Respondi ao e-mail e a resposta que normalmente era imediata não chegou! E nem nunca chegará, porque na terça-feira, quando meu amigo acreditava que poderia chegar de viagem, morreu num trágico acidente.

Pensei nas tantas pessoas que já sentiram isso, que perderam filhos, maridos, esposas, pais, amigos, sem poder terminar uma conversa, sem dar um último abraço, sem pedir perdão, sem ouvir a voz. Fica tudo suspenso, é como se o fim fosse um terrível engano, uma brincadeira de mau gosto, que muda o rumo de muita gente e abre uma ferida muito grande.

Hoje, com a tragédia em Medellin, está tudo suspenso de novo, o ar ficou pesado, o relógio parece ter parado. São oitenta e uma vidas e todas as conexões delas chacoalhadas pela dor, pela ausência que é tão real e cruel, que se materializou em nossos corações.

Mas tive outra certeza, é mesmo preciso amar como se não houvesse amanhã, como a letra da música já nos ensinou. Sabe qual é o grande problema? A gente aprende, mas, teima em esquecer! Rezo para não me esquecer nunca mais! Minhas preces e meu respeito a todos que sofrem pela dor da ausência nesse momento.

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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