Amor! O que eu aprendi com o casamento dos meus pais.

Amor! O que eu aprendi com o casamento dos meus pais.

Aprendi muitas coisas sobre o amor com o casamento dos meus pais. Mas, a maior lição é que o amor não se transforma! Ele não se transforma em amizade, em companheirismo, em paz, em vida que segue, em ódio, o amor não se transforma em nada! Transformou-se? Sinto muito, não era amor, era outra coisa!

Pra quem diz que paixão não é amor, tenho outra informação, que aprendi com o casamento dos meus pais:  O amor precisa da paixão, como eu e você precisamos de oxigênio. Essa coisa de que paixão acaba é balela. Se ela acabar, o amor se transforma e aí… Lá se vai o amor, que nunca foi amor!

Quem conheceu, conviveu ou convive com os meus pais deve estar se perguntando… Como assim amor? Um fala A o outro responde B. Um é de ficar o outro é de ir, um segue todas as regras o outro não tem medo de nada, um é 110, o outro é 220, enquanto a professora ensinava, o guarda prendia, enquanto a boemia não tinha hora pra acabar, o relógio do outro tocava cedo pra mais um dia de dupla jornada arrastando a penca de 5 filhos.  E como assim amor?

Sim! Amor! Meus pais se abraçavam sem motivos, se beijavam na boca a qualquer hora do dia e da noite, assistiam tv de mãos dadas, se olhavam com amor, se orgulhavam um do outro e se aceitavam como eram. Reclamavam? Todo santo dia! E nem sei quantas vezes desejei que eles se separassem, mas isso,  foi quando eu ainda não sabia exatamente o que era amor, estava aprendendo.

Aprendendo que o amor entre o meu pai e a minha mãe não era cartesiano, era torto, como o amor deve ser, pra suportar todos os impactos, pra unir pontas soltas, pra curar o que não sara, reaproximar o que estava por se perder. Aprendendo ainda que o amor não tira férias, dorme às vezes, mas o sono é leve. E que de repente, sem mais, nem menos aparece forte e inabalável, preso num abraço, ou exposto no perdão de quem sabe o que é amor. O amor não é verdadeiro ou falso, grande ou pequeno, forte ou fraco e nem cabe num coração. O amor cresce em qualquer direção, se instala, se multiplica e  é pra ser vivido com tudo o que a vida tem de bom e ruim, e na melhor das hipóteses ele pode durar 50 anos,  como aconteceu na história dos meus pais.

E quando eu me pergunto como o fato de testemunhar esse amor refletiu na minha vida, respondo a mim mesma, bem depressa: Graças a esse amor, não me contento com nada que não seja parecido com o amor dos meus pais, porque amor… conheço desde que eu nasci!

 

 

 

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

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