A barraca do afogado – O livro

A barraca do afogado – O livro

Se você já esteve na quermesse do Divino Espírito Santo, em Mogi das Cruzes, certamente, provou o prato mais tradicional dessa festa que completou 404 anos. Mas, tão importante quanto o sabor é o que está por trás do preparo da iguaria. Segredos de ingredientes? Tem sim. Mas, não é só isso. O preparo arrebata dezenas de voluntários, que passam 11 dias enfiados numa cozinha improvisada, descascando batata, temperando carne, mexendo panelas enormes e unidos por uma fé imensa.

Foto: Robson Regato

Tudo isso ganhou destaque pelas lentes do fotógrafo Robson Regato, que registrou a rotina exaustiva durante os 11 dias de festa, a cozinha, o modo de preparo de cada alimento que faz parte do afogado e o trabalho dos voluntários, em 96 páginas do livro fotográfico: “A barraca do afogado”.

O afogado é um ensopado de carne de segunda com batata e outros segredinho…  A origem vem da época da escravidão. Quando Mogi era uma cidade pequena no século 18, o pessoal vinha da roça para participar da festa. Era costume do dono da festa dar alimento aos visitantes. Como vinha muita gente, fazia um cozido de carne com batata, verduras e legumes. Acabou virando tradição. As carnes, verduras e legumes ficavam boiando na água… pareciam estar se “afogando”. Daí, o nome do prato.

O afogado é preparado em 20 panelões (quatro com água e 16 cozinhando o afogado). O prato leva entre 6 e 7 h para ficar pronto. A panela é tão pesada que, para levantá-la, são necessários quatro homens.

Tudo isso a gente confere do livro, “A barraca do afogado”. Claro que o Blog à Bolonhesa fez questão de ter um exemplar autografado. Afinal, o prato mais tradicional, da mais importante festa religiosa e folclórica de Mogi das Cruzes e traduzido por lentes tão sensíveis, imperdível. Peça de coleção!

Durante a noite de autógrafos, Robson Regato estava orgulhoso do resultado e não se cansou de explicar como se envolveu com o projeto do livro que tinha outra finalidade: …“Fui fotografar a barraca do afogado com o intuito de registrar o trabalho do Airton [Nogueira] e posteriormente fazer uma exposição fotográfica com o material. Além de meu amigo pessoal há 40 anos, ele coordenava tudo aquilo desde 1998 e de uma forma magnífica. Mas logo no primeiro dia fui pego de surpresa com a quantidade de trabalho, de pessoas envolvidas e naturalmente fui contagiado por elas. De repente, não era mais só o Airton que me atraía ali, embora o objetivo fosse homenageá-lo. Quando me dei conta, tinha material fotográfico para editar um livro e então eu decidi mostrar o quão mágica e abençoada é aquela cozinha. Quem me abriu essa porta foi meu grande amigo, que partiu sem que eu pudesse dar esse presente, materialmente, para ele”, comenta o autor. Airton Nogueira morreu em dezembro de 2016.

Este já é o segundo trabalho de Regato sobre a Festa do Divino que, em 2010, fez os livros O Trabalho e A Fé ao lado do também fotógrafo Lailson Santos, documentando em imagens as partes religiosa e do trabalho voluntário da festa centenária em Mogi das Cruzes e uma das principais tradições culturais do Brasil. Se eu fosse você teria os dois pra se deliciar aí na sua casa.

Autor

Marilucy Cardoso

Marilucy Cardoso

Jornalista, mãe, canceriana, nascida em 1973, cheia de histórias para contar e suja algumas panelas nas horas vagas.

Relacionado

Comentários

Nenhum Comentário

Você pode ser o primeiro a comentar este post!

Deixe o seu comentário